Crítica – Estreia da Semana: “Veronika Decide Morrer”

Por Lucas Marques

Nota: ** (2 de 5)

Originalmente publicado no site Almanaque Virtual.

Se há uma analogia a ser feita em relação a Paulo Coelho e o mundo da Sétima Arte é a de que o escritor brasileiro é uma espécie de Michael Bay da literatura romancista: os dois são, constantemente, alvo de opiniões negativas da crítica especializada, que os acusam de usufruírem o meio artístico em que atuam unicamente para seus próprios fins lucrativos, ou seja, sem se importarem em criar algo de qualidade para o interlocutor. Mas é claro, o sucesso e popularidade dos dois é algo incontestável – o recente estrondo de Transformers 2 e a constante liderança de Paulo Coelho em vendas nas livrarias, não me deixam mentir.

Depois de ser traduzido para 67 idiomas, editado em mais 150 países e de se configurar como queridinho por celebridades do calibre da Madonna e até se tornar membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Paulo Coelho chega agora às telas do cinema com a adaptação de seu romance publicado em 1998, Veronika Decide Morrer.

A Veronika do título é interpretada por Sarah Michelle Gellar, filha de emigrantes eslavos que acorda em um hospital psiquiátrico depois de uma tentativa mal sucedida de suicídio. No local, Veronika descobre que seu tempo de vida, devido às sequelas da tentativa de se matar, é bastante curto. No comando da clínica Villete está o Dr. Blake (David Thewlis), que utiliza práticas pouco ortodoxas para o tratamento de seus pacientes.

A diretora Emily Young (Kiss of Life) fez o que poucos diretores realizam no momento em que tem em mãos uma obra literária, respeitou em grande parte o conteúdo escrito pelo autor. Mas, tal atitude exerce aqui o papel contrário, pois o livro no qual o longa de Young se baseia é péssimo. Tudo o que há de ruim nos textos de Paulo Coelho está presente na fita; o pseudoexistencialismo, a falsa profundidade nos conflitos das personagens, os diálogos sem sentido ou contexto narrativo e claro, o exarcebado maniqueísmo.

A grande sensação de distanciamento que permeia ao longo da projeção, não provoca a conexão entre público e obra, consequentemente, a empatia para com as personagens se torna praticamente nula – algo que em um filme de conteúdo dramático, é determinantemente crucial para exercer efeito no espectador.

As atuações são insossas e prejudicadas pelo roteiro de Roberta Hanley e Larry Gross, que além de não conseguirem estabelecer uma conexão entre público e personagem, procura se aprofundar em questões e situações que prejudicam o ritmo da narrativa – a escolha excessiva de se prolongar na clínica e os abruptos desvios no comportamento das personagens, comprovam minha afirmação.

Há ainda em Veronika Decide Morer, a baboseira característica em livros de autoajuda (e do próprio, Paulo Coelho) de que o amor é a chave redentora, a rocha sólida que o curará de seus males interiores, no caso da personagem sua insanidade.

Utilizando ao final uma ridícula e desconexa narração em off como forma de tentar explicar ao, confuso e entediado espectador, o que o roteiro e a direção não conseguiram ao decorrer da projeção – o novo trabalho de Young só consegue comprovar uma coisa: que Paulo Coelho já não funciona muito bem na literatura, mas no cinema a situação é ainda pior.

Abraços e Vida Longa à Magia Cinematográfica!

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~ por habibsarquis em 19/08/2009.

5 Respostas to “Crítica – Estreia da Semana: “Veronika Decide Morrer””

  1. Mas será que vai ser tão ruim assim o filme cara?
    Acho que a diretora perceberia se fosse uma coisa tão pífia, ela não iria se expor ao ridículo assim.
    E mesmo ela respeitando o conteúdo do livro, com certeza terá alguma mudanças de efeito no filme.
    Bom, é esperar para ver.
    Abraço.

  2. Olha, eu fiquei com medo de ler o teu texto porque eu quero ver esse filme e não quero correr risco de ler spoilers.

    Mas vou ficar na torcida, porque sou um grande fã da Sarah Michelle Gellar. Depois eu venho aqui comentar.

    Abraço!

  3. Olha cara, não gostei da crítica. Desculpe a sinceridade. Acho que crítica de filme tem que ser imparcila e mostrar as discussões que existem em torno da obra. Infelizmente, quem escreveu não gosta do Paulo Coelho e se muniu de preconceitos ao desenvolver o texto. Não vi o filme, mas já li o livro. Tenho certeza que se o diretor for coerente, terá um grande filme como resultado.

    Abraço

    • Claro que foquei meu texto em Paulo Coelho – até no pôster do longa o nome dele vem antes dos atores, diretores e produtores.

      Uma crítica é parcial, afinal é uma opinião escrita de quem assistiu ao filme – não existe a obrigação de aceitar essa opinião, cada um tem o seu gosto e ponto de vista.
      Em meu texto abordei a estrutura do filme, no qual o ritmo da narrativa e o envolvimento entre espectador e obra são prejudicados pela direção e roteiro. Infelizmente, as discussões proferidas pelo filme não surtem efeitos justamente pelos fatores que abordei na crítica.

      Bom, é isso. =)
      Vlw o comentário e a visita.
      Abraços

  4. nunca acreditei mto em Paulo Coelho como escritor, daí suas obras vão para o cinema e, surge estranhamente uma certa vontade de assistir VERONIKA DECIDE MORRER… o porque dessa vontade?! não sei!

    em relação ao seu blog, li a critica e achei muito boa, interessante mesmo… e o layout tambem dá uma cara dinamica ao blog…

    tenho um blog sobre cinema, qd quiser aparece lah…

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