Crítica – Estreia da Semana: “Pequenos Invasores”

Por Lucas Marques
Nota: * (1 de 5)

Originalmente publicado no site Almanaque Virtual.

Projetos burocráticos e sem o menor senso de criatividade, parece ter se tornado há tempos uma tendência na escolha que produtoras hollywoodianas fazem ao lançarem “obras” semelhantes ao seu mais recente lançamento, Pequenos Invasores (Aliens in the Attic,2009). Só para citar, nesse ano já fomos presenteados com ‘pérolas’ como, “Recém –Chegada”, “Anjos da Noite 3 – A Evoluçaõ”, “Dragon Ball” e “Transformers: A Vingaça dos Derrotados”.

Esta nova ‘pérola’ se inicia com a seguinte premissa: Stuart Pearson (Kevin Nealon), o patriarca de uma pacata família americana de classe média alta, decide fortalecer os laços familiares realizando uma viagem ao sossego do campo – com direito a pesca familiar e churrasco de hambúrgueres. O que sua família não previa era que pequenos seres de outro planeta aterrissassem no telhado de sua residência; e agora têm a intenção de dominar toda a raça humana. Mas, é claro que tal ameaça não assustará nossos pequenos heróis, Tom (Carter Jenkins), Jake (Austin Butler), Bethany (Ashley Tisdale), Hanna (Ashley Boettcher) e os gêmeos do barulho, Art (Henri Young) e Lee (Regan Young) – que carregados de coragem e união irão tornar o plano desses intrusos numa verdadeira confusão.

A sinopse acima estaria mais adequada em filmes da ‘queridinha’ do Festival de Gramado, Xuxa Meneghel ou em filmes da “Sessão da Tarde” – e acredite, isso não é nenhum elogio.

O roteiro (?) da fita, escrito por Mark Buton e Adam F. Goldberg, não poderia ser mais burocrático e reciclado. A dupla, simplesmente, coletou todos os clichês, estereótipos e piadinhas banais usadas à exaustão em Hollywood, juntaram com sua premissa ‘original’ de alienígenas invasores e escreveram esse desperdício de tempo que é, Pequenos Invasores.

Buton e Goldberg fazem de tudo para provocar o riso no espectador, não hesitando em inserir piadas e gags visuais que funcionariam melhor em um sketch do programa “Zorra Total” – há o cúmulo em colocar uma senhora de idade que, ao perceber que sua televisão não funciona, levanta e começa agredir o aparelho com sua bengala de apoio.

Tudo é previsível e caricato. Por exemplo, no elenco há o, tímido e subestimado, protagonista que ao decorrer dessa jornada terá a chance de mostrar seu verdadeiro valor; o namorado egocêntrico e mimado (Ricky) da inocente irmã do protagonista (que, certamente o espectador deduzirá que será a primeira vítima dos antagonistas) e claro, os alívios cômicos como, uma dupla de gêmeos e uma linda menininha que não hesita em desferir frases engraçadinhas para cada situação.

As falhas acima poderiam ser perdoadas se o diretor (John Schultz) concebesse o mínimo de sensação de ameaça ou urgência à trama, mas no caso, essa questão é eliminada. Afinal, a ‘ameaça’ presente nunca parece verossímil ou perigosa – e não apenas pelo absurdo de alienígenas invadindo a Terra, mas sim pela reação nula das personagens em relação a tudo. A situação é encarada como um grande jogo de vídeo game pelos heróis, até o primeiro encontro entre eles e os seres extraterrestres são encarados com implausível naturalidade – nem a alta queda do telhado em que o namorado, Ricky é submetido reflete reação alguma nas personagens – uma delas nesse momento solta a seguinte frase: “Yeah! Parece que Ricky se espatifou de cara”.

Nem os vilões fogem da maneira formulaica adotada por seus roteiristas. Todos são estereotipados e unidimensionais, seus principais objetivos nunca são desenvolvidos satisfatoriamente – tudo o que sabemos é que eles almejam grandemente dominar tudo e todos. Quase me esqueço do previsível Sparks, que dócil e diferente de seu bando, certamente ao decorrer da narrativa se juntará à nossos heróis e os ajudaram a derrotar os maus alienígenas.

Contando ainda com rasos conflitos psicológicos entre pai e filho e maniqueístas lições de moral, Pequenos Invasores é mais uma prova de que há duas vertentes no mundo do Cinema: o lado artístico cinematográfico e o lado comercial financeiro. Infelizmente, esse  filme está no segundo – seu único propósito e arrecadar dinheiro para seus produtores, pena que em troca seus consumidores não recebam nada além de perda de tempo e tédio.

Abraços e Vida Longa à Magia Cinematográfica!

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~ por habibsarquis em 26/09/2009.

3 Respostas to “Crítica – Estreia da Semana: “Pequenos Invasores””

  1. Não gosto de filmes desse genero, não assisto nem se me pagarem. Aí fica a sua opinião. Parabéns pelo blog.

  2. Essas produções saem em escalas industriais e realmente para uma ter realmente qualidade é muito difícil.Mas vamos conferir!Valeu!

  3. Pra mim esse filme vai fazer muito sucesso ^^

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